terça-feira, 4 de outubro de 2016

POLÍTICA E FÉ. MISTUROU, DEU M...

“...temos que apoiar nossos candidatos, mas para um católico sério, falou na Missa, perdeu o crédito!”

Ele sempre sofreu de prisão de ventre, mas naquela manhã a coisa estava complicada, provavelmente pela ansiedade da viagem que estava por vir. Era domingo, embarcou num avião rumo à Nova Iorque, uma viagem de 12 horas com sua “nécessaire” forrada de remédios. Sentou-se contorcendo-se, tudo o incomodava, o assento, o encosto, a luz, o choro da criança, o coque da aeromoça, o bafo de cigarro do cara ao lado, tudo... Desistiu... a barriga inchada quase explodindo o obrigou a se render ao laxante, tomou dois, uma golada de cerveja, fechou os olhos e esticou as pernas enquanto conferia o suor nas mãos. Minutos depois, o avião decolou e o choro da criança se intensificou, não teve dúvida, decidiu tomar um remedinho para dormir... uma, duas, três pílulas... Apagou! Tudo, menos o intestino! Consegue imaginar a catástrofe?

Existem coisas que isoladamente só ajudam, política e fé, por exemplo... Mas, de quem foi a ideia de misturar as duas coisas? Provavelmente de alguém que queria aproveitar a emoção de um momento para alcançar votos para o seu candidato! Quem nunca se encantou com uma roupa horrível logo que a vendedora disse que ela ficou óóóóótima em você? A emoção tem dessas coisas, ela nos pega e nos arrasta para onde ela quiser.



Para mim é difícil entender esses candidatos católicos, são tantos os espaços dentro e fora da igreja para uma campanha política saudável, daquelas que não nos ataca o nosso juízo, tampouco subestima a nossa inteligência... São tantos shows, encontros, terços, Grupos de Oração, Facebook, Instagram, WhatsApp, Snapchat, Twitter... Porque usar do momento mais sagrado para um católico, a Santa Missa, por quê?

Me pego pensando, será que o bônus de se ter um amigo na câmara compensa o ônus de se tirar a esperança alguém? As pessoas se sentem usados quando vão à Missa pra rezar, chegam lá percebem que é todo um circo armado, preparado para convence-las à votar num sujeito que muitas vezes elas mal conhecem!

A igreja milita em outra frente, meus caros, na linha da fé que avança sobre a política, não o contrário, deveríamos estar preocupados em pressionar para que haja mudanças concretas no sistema político, não para colocar lá "mais um dos mesmos", um sujeito que por mais honesto que sejas conseguirá fazer muito pouco, pois o sistema corrompido da câmara é partidário (governo de coalizão) e não individual, o voto é da legenda, da bancada, não dele. Além disso, a igreja é mãe do bom político, mas é mãe do mal político também.

Eu não acho errado um líder religioso entrar numa campanha política não, acho extremamente saudável, o próprio Papa Francisco nos pede isso, afinal, campanha política é assim mesmo, temos que divulgar, temos que apoiar nossos candidatos, mas na minha visão, falou na Santa Missa, perdeu o crédito!

É claro que as pessoas mais simples nem percebem o esquema e acabam se convencendo, mas os mais jovens, a galera que está mais antenada, que está na faculdade, sabe o que está acontecendo, sabe questionar, não cai nessa, sai decepcionada, falando mal de seu líder e não volta mais!

...Por fim pousaram o avião e ele saiu sonolento, cambaleante, fedendo, deixando seus rastros. Era inverno, nevava lá fora, enquanto com a mão esquerda balançava a barra da calça a direita recolhia o suor que pingava do seu rosto, os comissários que o acordaram o olhavam com asco, vômito de quase todos os passageiros por todos os lados... Ele parou, olhou em volta e pensou: Cheguei... É melhor feder em Nova Iorque que cheirar bem em Pirituba! (kkk...)




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