“...temos que apoiar
nossos candidatos, mas para um católico sério, falou na Missa, perdeu o
crédito!”
Ele sempre sofreu de prisão
de ventre, mas naquela manhã a coisa estava complicada, provavelmente pela
ansiedade da viagem que estava por vir. Era domingo, embarcou num avião rumo à
Nova Iorque, uma viagem de 12 horas com sua “nécessaire” forrada de remédios.
Sentou-se contorcendo-se, tudo o incomodava, o assento, o encosto, a luz, o choro
da criança, o coque da aeromoça, o bafo de cigarro do cara ao lado, tudo...
Desistiu... a barriga inchada quase explodindo o obrigou a se render ao
laxante, tomou dois, uma golada de cerveja, fechou os olhos e esticou as pernas
enquanto conferia o suor nas mãos. Minutos depois, o avião decolou e o choro da
criança se intensificou, não teve dúvida, decidiu tomar um remedinho para
dormir... uma, duas, três pílulas... Apagou! Tudo, menos o intestino! Consegue
imaginar a catástrofe?
Existem coisas que isoladamente
só ajudam, política e fé, por exemplo... Mas, de quem foi a ideia de misturar
as duas coisas? Provavelmente de alguém que queria aproveitar a emoção de um
momento para alcançar votos para o seu candidato! Quem nunca se encantou com
uma roupa horrível logo que a vendedora disse que ela ficou óóóóótima em você?
A emoção tem dessas coisas, ela nos pega e nos arrasta para onde ela quiser.
Para mim é difícil entender
esses candidatos católicos, são tantos os espaços dentro e fora da igreja para
uma campanha política saudável, daquelas que não nos ataca o nosso juízo,
tampouco subestima a nossa inteligência... São tantos shows, encontros, terços,
Grupos de Oração, Facebook, Instagram, WhatsApp, Snapchat, Twitter... Porque
usar do momento mais sagrado para um católico, a Santa Missa, por quê?
Me pego pensando, será que
o bônus de se ter um amigo na câmara compensa o ônus de se tirar a esperança
alguém? As pessoas se sentem usados quando vão à Missa pra rezar, chegam lá
percebem que é todo um circo armado, preparado para convence-las à votar num
sujeito que muitas vezes elas mal conhecem!
A igreja milita em outra
frente, meus caros, na linha da fé que avança sobre a política, não o
contrário, deveríamos estar preocupados em pressionar para que haja mudanças
concretas no sistema político, não para colocar lá "mais um dos mesmos",
um sujeito que por mais honesto que sejas conseguirá fazer muito pouco, pois o
sistema corrompido da câmara é partidário (governo de coalizão) e não
individual, o voto é da legenda, da bancada, não dele. Além disso, a igreja é
mãe do bom político, mas é mãe do mal político também.
Eu não acho errado um líder
religioso entrar numa campanha política não, acho extremamente saudável, o
próprio Papa Francisco nos pede isso, afinal, campanha política é assim mesmo,
temos que divulgar, temos que apoiar nossos candidatos, mas na minha visão,
falou na Santa Missa, perdeu o crédito!
É claro que as pessoas
mais simples nem percebem o esquema e acabam se convencendo, mas os mais
jovens, a galera que está mais antenada, que está na faculdade, sabe o que está
acontecendo, sabe questionar, não cai nessa, sai decepcionada, falando mal de
seu líder e não volta mais!
...Por fim pousaram o
avião e ele saiu sonolento, cambaleante, fedendo, deixando seus rastros. Era
inverno, nevava lá fora, enquanto com a mão esquerda balançava a barra da calça
a direita recolhia o suor que pingava do seu rosto, os comissários que o
acordaram o olhavam com asco, vômito de quase todos os passageiros por todos os
lados... Ele parou, olhou em volta e pensou: Cheguei... É melhor feder em Nova
Iorque que cheirar bem em Pirituba! (kkk...)

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